Polícia

PM destrói casamata do tráfico em SG
Mansão no alto do Morro do Martins era utilizada por traficantes como quartel - general e local para tortura de criminosos rivais

Colaboração de Malu Melo 
Barricadas em um dos principais acessos ao Morro do Martins, em Neves, São Gonçalo, e uma casa que funcionava como quartel general dos traficantes da favela, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Foi com isso que equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 7° BPM (São Gonçalo) se depararam ao chegar na principal rua da favela gonçalense. Chamados por moradores do Morro dos Martins, policiais do 7° BPM e do Bope acordaram cedo e bateram na porta de uma bela casa de dois andares localizada na região central da comunidade. De acordo com denúncias e investigações, lá funcionava o QG dos traficantes locais. O lugar tem visão privilegiada. À esquerda, é possível ver todos os acessos ao bairro do Barreto, na Zona Norte de Niterói. Enquanto à esquerda é possível controlar todas as ruas que dão acesso ao morro. Aos fundos, a vista fica por conta da Baía de Guanabara. De acordo com o subcomandante do Bope, tenentecoronel René Alonso, a casa pertencia a uma família há cerca de um ano. Expulsos do endereço por traficantes, o imóvel tornou-se a mais importante guarita dos criminosos. O sub-comandante do Bope frisou que a prática de barricadas não era comum nas favelas gonçalenses, mas que de uns tempos para cá os tonéis de concreto têm impedido a entrada da PM. “O tráfico no Morro do Martins era frágil, não usavam barricadas. Agora, os bandidos estão usando esse artifício para impedir a entrada da Polícia. Desconfiamos de que haja algum traficante que fugiu das favelas pacificadas recentemente pela Polícia que possa estar escondido aqui”, explicou o oficial. Durante a operação da PM, três motos sem documentação e sem placas foram recolhidas. Junto com elas, três rapazes, entre eles um menor, foram levados para a 73ª DP (Neves) para verificação de suas fichas policiais. Todos foram liberados em seguida. A casa tinha um alçapão que possibilitava o esconderijo de pelo menos uma pessoa. Com um disjuntor interno, os traficantes eram capazes de controlar o fornecimento de energia elétrica de uma rua inteira. Caso a Polícia chegasse, bastava desligar a luz da rua e deixar a PM, literalmente, no escuro. Para a Polícia Militar, o êxito na repressão ao tráfico de drogas da favela tem sido possível graças à colaboração dos moradores da região. Incomodados com a criminalidade, eles ligam com freqüência para o 7° BPM. De acordo com a PM, o líder do tráfico na favela seria Luiz Cláudio Gomes, o Pão com ovo. Apontado como exchefe do tráfico na Favela Nova Brasília, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, ele teria perdido o domínio das bocas de fumo da Nova Brasília e migrado em seguida para o Morro do Martins. Integrante do Comando Vermelho (CV), Pão com ovo teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por sequestrar um estudante de 18 anos, no último dia 29 de setembro, na entrada do Morro dos Marítimos, no Barreto, também na Zona Norte de Niterói. As bocas de fumo do morro são controladas pela facção rival, Amigos dos Amigos (ADA). O criminoso teria fortes ligações com a Favela do Fallet, em Santa Teresa. Na parceria do tráfico da favela, junto com Pão com ovo estariam Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, e Bruno Bezerra da Silva, o Bruninho BR. Gugui foi preso em 2006 por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) no Morro do Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Ele teria sido beneficiado com a liberdade condicional há cerca de cinco meses. Nesse período, ele teria encontrado o apoio de criminosos do Morro da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, de onde estaria controlando o tráfico de drogas do Morro do Martins.

MAIS UM PARA A ESTATÍSTICA
Policial é executado com mais de dez tiros 
Colaboração de João Oliveira 
Mais um policial militar foi morto no Estado do Rio. O crime ocorreu na madrugada de ontem, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O soldado Márcio Araújo Furtado, 30 anos, era lotado no 40ª BPM (Campo Grande) e estava de folga quando foi executado com mais de 10 tiros dentro de um bar, na Rua Paulo Afonso. Homens encapuzados teriam passado de carro pelo local e efetuaram disparos de fuzil. O bar onde o soldado estava fica próximo à casa de sua mãe. O PM ainda foi levado para o Hospital Estadual Rocha Faria, também em Campo Grande, mas já chegou morto à unidade. O caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande), mas quem vai ficar responsável pelas investigações é a Divisão de Homicídios (DH). Segundo um policial, que não quis se identificar, o crime estaria ligado à guerra entre grupos de milicianos da região. A DH não confirmou a informação, mas segue investigando as possíveis causas do crime. O mês de março mal começou e 39 policiais fluminenses já foram alvos de atentados no Estado do Rio de Janeiro. A estatística possui 22 policiais mortos - sendo 17 PMs, quatro policiais civis e um agente da Polícia Federal. Dos 39 policiais, 21 estavam de serviço. Três eram reformados.

CRIME BÁRBARO
Torturado, morto a tiros e pendurado em poste como troféu 
Após receberem chamados de moradores da Rua Iguassu, em Madureira, na Zona Norte do Rio, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) encontraram o corpo de um homem, com várias perfurações causadas por tiros, pendurado em um poste. No endereço, que fica em um dos acessos ao Morro São José da Pedra, onde o tráfico de drogas é controlado por criminosos integrantes da facção Comando Vermelho (CV), os PMs não conseguiram localizar testemunhas do crime. O corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) e, até a tarde de ontem, a vítima ainda não havia sido identificada.

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